PERCEPÇÃO DE ESCASSEZ TEMPORAL NA ERA DIGITAL: UMA ANÁLISE SOCIODEMOGRÁFICA
Palavras-chave:
Ócio, Hiperconectividade, Escassez temporal, Economia comportamental, Saúde digitalResumo
Este artigo investiga a relação entre as características sociodemográficas e a experiência de escassez temporal, avaliando como a hiperconectividade interfere na qualidade do ócio e nos processos cognitivos de atenção e memória. A partir da interlocução entre duas abordagens distintas, a Economia e a Psicologia, a estratégia empírica baseia-se na Análise Exploratória de Dados e na estimação de um modelo de regressão linear múltipla, utilizando uma amostra extraída da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2015). Os resultados indicam que a posse de celular reduz o ócio semanal, independentemente do rendimento mensal dos indivíduos. Entretanto, as desigualdades de gênero e de raça mostraram-se as forças de maior magnitude relativa na restrição temporal: mulheres apresentam um saldo menor de horas de ócio semanal em comparação aos homens, assim como indivíduos pretos e pardos em comparação a indivíduos brancos. Conclui-se que a Era Digital fragmenta o tempo livre e aprofunda disparidades históricas, conforme evidenciado por teorias do ócio criativo, da economia comportamental e da organização socioespacial.