DIFERENÇAS SALARIAIS E HETEROGENEIDADE DO TRABALHADOR: A TRANSFORMAÇÃO OCUPACIONAL PRÉ E PÓS-PANDEMIA
Mots-clés :
Diferenças salariais, Tarefas ocupacionais, Heterogeneidade do trabalhador, Estrutura ocupacional, BrasilRésumé
Este artigo analisa as relações entre o conteúdo de tarefas das ocupações, a heterogeneidade dos trabalhadores e as diferenças salariais no Brasil. Utilizam-se microdados da PNAD Contínua referentes aos primeiros trimestres de 2016, 2019, 2022 e 2025, combinados a escores ocupacionais derivados da O*NET e compatibilizados com a Classificação de Ocupações para Pesquisas Domiciliares (COD). Por meio de análise exploratória de dados, examinam-se a distribuição ponderada por skill predominante, a composição sociodemográfica das ocupações e os diferenciais de salário-hora real. Os resultados mostram relativa estabilidade da estrutura ocupacional, segmentação por sexo, raça/cor, nível de instrução e faixa etária e uma hierarquia salarial favorável às ocupações cognitivas, especialmente Cognitivo Analítico. No nível ocupação-ano, o Índice Cognitivo − Manual apresenta correlações entre 0,59 e 0,61 com o salário-hora, superiores às do Índice Não Rotineiro − Rotineiro, entre 0,41 e 0,48. Esse ordenamento permanece em duas construções alternativas dos índices. Conclui-se que a abordagem de tarefas oferece uma estrutura empiricamente relevante para compreender a composição ocupacional e a desigualdade salarial no Brasil.