A BULLY DIPLOMACY DO SEGUNDO GOVERNO DONALD TRUMP: ANÁLISE DAS AMEAÇAS, TARIFAS E RECONFIGURAÇÃO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Schlagworte:
Bully diplomacy., Política externa dos Estados Unidos, Diplomacia coercitiva, Multilateralismo, Ordem internacional liberalAbstract
Este artigo analisa a bully diplomacy adotada pelo segundo governo de Donald Trump (2025–2026), compreendida como um padrão articulado de política externa em que a barganha bilateral, sustentada pela ameaça e pela exploração de assimetrias de poder, substitui a construção de consenso multilateral como principal mecanismo de obtenção de resultados internacionais. A pesquisa é qualitativa e exploratória, fundamentada em dados secundários — documentos oficiais, relatórios de organismos internacionais e literatura acadêmica e jornalística especializada — e organizada em quatro eixos complementares. O primeiro examina o uso das tarifas como instrumento de coerção diplomática contra aliados tradicionais (Canadá, México e União Europeia) e seus efeitos sobre a credibilidade comercial norte-americana. O segundo analisa a ambiguidade da diplomacia de Trump em relação à guerra Rússia-Ucrânia e seus efeitos desestabilizadores sobre a ordem de segurança europeia. O terceiro investiga a coerção territorial exercida sobre o Canadá e a Groenlândia e suas implicações normativas para o princípio da integridade territorial. O quarto examina como o conjunto dessas ações reconfigura as alianças internacionais e fragiliza as organizações multilaterais responsáveis pela governança global. Os resultados indicam que a bully diplomacy opera como estratégia coerente de extração de concessões — descrita na literatura recente como "hegemonia predatória" —, cujo efeito cumulativo é a erosão da previsibilidade institucional que historicamente sustentou a liderança dos Estados Unidos, incentivando simultaneamente a diversificação de parcerias por parte de aliados tradicionais e o aprofundamento da cooperação entre potências revisionistas.