PATERNIDADE NA SÉTIMA ARTE: A RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS PELAS LENTES DO CINEMA
Schlagworte:
Cinema, paternidade, psicanáliseAbstract
Enquanto fenômeno histórico e multifacetado, a paternidade pode ser considerada uma função social que sofreu importantes transformações culturais ao longo do tempo, especialmente quando levamos em conta a efervescência dos movimentos em prol da igualdade de gênero que permearam o século XX e o início do século XXI. Essa dinâmica se traduziu também no cinema, com filmes que retratam diversos tipos de figuras paternas, ora espelhando a sociedade, ora propondo novos modelos de paternidade. Nessa perspectiva, considerando o diálogo entre a psicologia e a sétima arte, o presente artigo tem o objetivo de investigar as representações da paternidade no cinema de ficção, a partir da análise fílmica de 14 obras de significativo impacto cultural, sob a ótica da psicanálise e de autores do campo social. Os resultados evidenciaram que, embora a dimensão tradicional seja retratada em grande parte das narrativas (o pai provedor, com identidade fortemente atrelada ao mercado de trabalho, autoritário, racional, distante emocionalmente e que procura sustentar uma invulnerabilidade), poucos personagens encarnam uma paternidade convencional sem conflitos ou dilemas. Na maioria das vezes o cinema costuma oferecer uma abordagem predominantemente crítica, retratando dificuldades, crises e rupturas com os modelos estabelecidos. Além disso, se nos filmes mais antigos a associação entre função paterna e masculinidade é bem evidente, algumas obras contemporâneas procuram desafiar este padrão ao romper com o determinismo biológico, propondo formas de paternidade mais fluidas e plurais. Por fim, o cinema também sugere um modelo de paternidade contemporânea marcada pela naturalidade e intimidade no envolvimento entre pais e filhos, envolta por uma camada de incerteza, solidão e angústia existencial.