CIBERGEOPOLÍTICA E DIPLOMACIA ECONÔMICA: CONSTRUÇÃO E ANÁLISE DE UM ÍNDICE DE RISCO CIBERGEOPOLÍTICO PARA INVESTIMENTOS BRASILEIROS NO EXTERIOR
Schlagworte:
Cibergeopolítica, Risco-país, AHP, Indicadores compostosAbstract
O presente artigo propõe e operacionaliza um Índice de Risco Cibergeopolítico (IRC) destinado à avaliação de ambientes de investimento internacional sob a perspectiva de empresas brasileiras. Integrando revisão sistemática da literatura sobre cibergeopolítica, risco-país e tomada de decisão multicritério, o modelo organiza vinte indicadores proxy na estrutura hierárquica do Método de Análise Hierárquica (AHP) de Saaty (1980), com pesos estilizados estimados a partir da literatura, distribuídos em cinco dimensões analíticas, a saber, estabilidade institucional digital, resiliência cibernética nacional, soberania e restrições digitais, exposição geopolítica tecnológica e acessibilidade do mercado digital. Os resultados da aplicação do modelo a oito países (BRA, USA, CHN, DEU, GBR, FRA, JPN, IND), com dados de referência de 2022, situam o Japão (score 66,2) e a França (63,9) entre os ambientes mais favoráveis ao investimento digital, enquanto a China (42,8) exibe o perfil de maior risco agregado do conjunto analisado. O Brasil (53,2) posiciona-se em faixa de risco moderado, com destaque positivo para estabilidade institucional digital e fragilidade relativa na dimensão de soberania e restrições digitais. Registra-se que seis dos vinte indicadores, entre eles a totalidade dos que compõem a dimensão de exposição geopolítica tecnológica, são operacionalizados por dados sintéticos nesta versão piloto, de modo que os escores totais têm caráter demonstrativo e o conteúdo substantivo dos achados concentra-se nas dimensões alimentadas por fontes empíricas. O artigo discute as implicações desses resultados para a diplomacia econômica brasileira e propõe agenda de desenvolvimento metodológico para versões futuras do índice.