MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE TRADUÇÃO DE FLORA THOMSON-DEVEAUX E TRADUÇÃO GERADA POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Palavras-chave:
tradução literária, Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, inteligência artificial, tradução comparadaResumo
Este artigo compara a tradução de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, realizada por Flora Thomson-DeVeaux (Penguin Classics, 2020), com uma versão produzida por uma inteligência artificial (ChatGPT Plus). A investigação parte do seguinte questionamento: a inteligência artificial seria capaz de produzir uma tradução que conserve a complexidade estilística, cultural e discursiva da obra machadiana, em comparação à tradução humana? O objetivo foi analisar diferenças e convergências entre as versões a partir de quatro eixos: fidelidade ao texto fonte, escolhas lexicais, organização sintática e adaptação cultural, à luz de Nida (1964), Jakobson (1995) e Vermeer (2014). Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa empírica, exploratória e qualitativa com base em trechos do Capítulo I da obra. Os resultados indicam que a tradução humana preserva melhor o tom arcaizante, a ironia e os efeitos retóricos, enquanto a IA privilegia a literalidade e fidelidade ao texto original, que por vezes reduz nuances estilísticas e culturais. Dessa forma, no escopo delimitado da pesquisa, capítulo escolhido, prompt neutro e versão específica da ferramenta, conclui-se que a tradução feita por inteligência artificial de obras literárias ainda não alcança a mesma capacidade de recriação estética do tradutor humano, mas a análise comparativa contribui ao oferecer um protocolo de avaliação aplicável a clássicos literários e aponta caminhos para pesquisas futuras sobre o uso responsável da IA na tradução.