AS IMPLICAÇÕES GEOPOLÍTICAS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Palavras-chave:
mudanças climáticas, geopolítica ambiental, governança climática global, justiça climática, cooperação internacionalResumo
O artigo analisa criticamente as implicações geopolíticas das mudanças climáticas, abordando suas causas naturais e, sobretudo, antropogênicas, com ênfase na intensificação do efeito estufa decorrente do desmatamento, da queima de combustíveis fósseis e da reconfiguração dos usos do solo. A partir de uma abordagem qualitativa e analítica, examinam-se os principais marcos da governança climática internacional — da Conferência de Estocolmo (1972) ao Acordo de Paris (2015) —, evidenciando avanços normativos e limites estruturais, como o caráter voluntário das contribuições nacionais e a persistente assimetria entre o Norte e o Sul Global. O artigo demonstra como a crise climática atua como multiplicador de ameaças, ao intensificar disputas territoriais, deslocamentos forçados e conflitos armados em contextos de vulnerabilidade socioambiental. Por meio de análise comparativa, são investigadas as estratégias de mitigação, adaptação e financiamento climático adotadas por Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e Brasil, revelando uma governança ambiental fragmentada, permeada por interesses geopolíticos, disputas distributivas e desafios ético-normativos. Conclui-se que a superação da crise climática exige uma reconfiguração profunda das estruturas de poder e um novo paradigma de justiça ambiental transnacional.