A FLOR, A ÁGUA E O VINHO NA ÓTICA NEOCLÁSSICA DE RICARDO REIS

Wagner Rafael Rodrigues, Luiz Rogério de Camargo

Resumo


As odes de Ricardo Reis são caracterizadas pelo aniquilamento protagonizado pelo tempo, ou seja, a morte. Nesse sentido, as odes ricardianas destacam elementos efêmeros, a água, as flores e o vinho, que tentam aliviar a dor do poeta. Assim, o problema da pesquisa visa compreender: de que maneira determinados símbolos de efemeridade são utilizados na poética de Ricardo Reis e que papéis desempenham em relação à visão de mundo do poeta? Tendo como objetivo apontar como Ricardo Reis utiliza e determina a efemeridade e qual o papel que esta desempenha na sua visão de mundo. Desse modo, constatou-se que a flor, enquanto símbolo da efemeridade, representa uma tentativa de embelezamento do instante, assim como a dona de casa que coloca flores numa jarra para enfeitar a casa, Reis colhe as flores, pois elas proporcionam, nem que seja por um instante, alegria de viver. A água se constitui pela dinâmica do rio e do lago enquanto passagem do tempo. Reis passa com o rio, pois, ao término de cada segundo a vida se esva  a e mais próximo está à morte. Na dinâmica do lago, é a água que a morte seca. Reis vê no lago a impossibilidade de lutar contra o tempo. Por fim, o vinho é para Reis uma tentativa frustrada de aliviar e esquecer sua dor, causada pela consciência da morte, sendo simplesmente uma bebida e nada mais. Reis angustia-se tanto com a ideia de finitude que nem o prazer proporcionado pelo vinho consegue lhe tirar isso da cabeça.

Palavras-chave


Ricardo Reis. Simbologia. Efêmero

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