A VIAGEM NO TEMPO NO CINEMA: REPRESENTAÇÕES SUBJETIVAS E POTENCIAIS TERAPÊUTICOS
Palavras-chave:
Psicologia, Cinema., Viagem no tempo, Subjetividade.Resumo
A viagem no tempo é uma das modalidades de narrativa mais exploradas pela sétima arte. Embora sejam histórias fictícias, seu valor artístico vai muito além do mero entretenimento, uma vez que são obras capazes de engajar subjetivamente o espectador, despertando afetos e reflexões. Nessa perspectiva, esta pesquisa tem o objetivo de investigar as representações subjetivas e potenciais terapêuticos relacionados aos filmes de viagem no tempo. Os métodos utilizados foram a análise fílmica de uma amostra de 25 obras selecionadas, uma sondagem de opinião online e uma pesquisa interventiva com exibição, reflexão e debate a respeito de três filmes. Os resultados sugerem que a viagem no tempo se conecta com a subjetividade dos espectadores a partir da identificação com os personagens que realizam desejos fantasiosos relacionados a: viver em uma época idealizada como melhor do que o presente (nostalgia); corrigir erros do passado (reparação); encontrar um futuro melhor (utopia); vivenciar a liberdade de escolha (livre-arbítrio); ter o poder de determinar o curso da realidade (controle); tornar-se uma pessoa melhor (transformação). Por outro lado, são raros os filmes que não apresentam problemas nessa jornada, mostrando questões como desilusão, distopia, paradoxos, efeito borboleta, destino e estagnação. Tanto na pesquisa de opinião quanto no processo interventivo, evidenciou-se essa ambiguidade, entre o fascínio de voltar no tempo para alterar alguns acontecimentos e o medo de reviver problemas que já foram superados ou modificar algo que prezam muito na sua trajetória de vida, levando a uma reflexão sobre a importância de aceitar o presente e valorizar as conquistas realizadas.