PSICODERMATOLOGIA: AS MARCAS DO VITILIGO E SUAS REPRESENTAÇÕES ARQUETÍPICAS E SOCIOCULTURAIS, NA PERSPECTIVA JUNGUIANA
Palavras-chave:
Vitiligo, Psicodermatologia, Psicologia, Psicologia AnalíticaResumo
Este artigo se trata de um estudo de caso que tem como objetivo compreender os aspectos simbólicos, psicológicos e sociais envolvidos na vivência do vitiligo, a partir da perspectiva da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, em diálogo com a psicodermatologia. Procurou-se analisar, por meio de uma entrevista semi-estruturada com uma participante diagnosticada com vitiligo, como os complexos, arquétipos e vivências subjetivas se relacionam com o processo de adoecimento e transformação psíquica neste quadro clínico. Utilizando o método de processamento simbólico arquetípico de Eloisa Penna, a pesquisa interpretou os relatos da participante à luz dos arquétipos de Rudra e Arjuna, revelando a progressiva ressignificação das marcas na pele como “nuvenzinhas” e a ativação simbólica do processo de individuação. Embora o vitiligo não represente risco físico, sua carga emocional está atrelada ao estigma, à exclusão social e à desconstrução da identidade. Os resultados apontam que o adoecimento da pele pode ser compreendido como um chamado simbólico à transformação interior e à integração dos aspectos da sombra. Conclui-se que o vitiligo é uma vivência que atravessa a pele, mas mobiliza profundamente a psique, sendo fundamental que profissionais da saúde integrem os aspectos simbólicos, emocionais e culturais no cuidado. Destaca-se, também, a carência de produções científicas brasileiras sobre o tema, e a urgência de ampliar investigações interdisciplinares que articulem psicologia e dermatologia.